Poeta

Álvaro

Alves

de Faria

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DE MÃOS DADAS

A ideia de escrever “De Mãos Dadas” nasceu num Café de Salamanca. Um livro em que os poemas dialogam entre si, um respondendo ao outro. “De Mãos Dadas” será lançado na Espanha e no México. O lançamento do livro em São Paulo (Escrituras), dia 1 de julho de 2017, reuniu vários poetas que declamaram seus poemas. O início do lançamento foi a leitura de poemas do livro. Dúlia Paloma Yáñes Opic leu os poemas de Montserrat Villar em espanhol, a poeta Lélia Romero leu minha tradução e eu li meus próprios poemas. E a seguir apresentaram-se, numa bela festa poética, os poetas Carlos Felipe Moisés, Rubens Jardim, Lélia Romero, Oswaldo Rodrigues, Hamilton Faria, Luiz Roberto Guedes, Flora Figueiredo, Whisner Fraga e Ruy Proença. O evento ocorreu no Bar-Café “Patuscada”, da Editora Patuá.

 

 

***

 

 

“De mãos dadas” é um livro que apresenta um diálogo poético sobre assuntos que vão da própria poesia à condição humana, ao mesmo tempo em que mostra, para seus temas, o olhar masculino e feminino. A ideia do livro surgiu em um Café de Salamanca, Espanha, ao qual estava presente o poeta espanhol Antonio Colinas. O brasileiro Álvaro Alves de Faria e a poeta Montserrat Villar González passaram, então, a escrever o livro trocando e-mails. Em uma parte, a poeta Montserrat Villar González responde ao poema de Álvaro Alves de Faria. Em outra, as posições se invertem. São duas visões poéticas de um mesmo tema tratados nos poemas. Duas visões em que se destaca, também, o tratamento poético de duas nacionalidades. No final, o assunto central do livro é a Poesia e sua relação com a vida do homem. Cuidou-se da palavra do poema, da elaboração do poema, da forma de dizer o poema. A palavra escolhida como expressão poética esteve presente o tempo todo na elaboração do livro, a letra brasileira e a letra espanhola, a composição do poema e sua melodia. Os temas dos poemas aqui escritos nasceram espontaneamente, sem determinação prévia. Cada autor desenvolveu seu poema à sua maneira mas tendo a poesia como argumento fundamental. Montserrat e Álvaro trocaram palavras e poemas com a preocupação de revelar a construção do poema de um poeta brasileiro e de uma poeta espanhola, seguindo não a tradição da poesia dos dois países, mas a realização individual de dois poetas ligados à vida da poesia. Álvaro observa que o resultado foi além de sua expectativa, porque o poema se realizou como devia, adquirindo vida própria na sua elaboração e no que tinha a dizer. Montserrat concorda. Afirma que os poemas traduzem uma troca de ideias sobre a própria poesia que se produz atualmente nos Brasil e na Espanha, cada um com sua linguagem poética que busca sempre a expressão maior da poesia. “De mãos dadas” representa um acontecimento poético na visão de dois poetas com narrativas distintas que se encontram para construir uma obra significativa que merecerá a atenção dos que têm na poesia uma forma de expressão que pode identificar a identidade de um povo.  

 

 

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MENSAGEM DE MONTSERRAT VILLAR GONZÁLEZ

LIDA NO LANÇAMENTO DO LIVRO  

 

Escribir poesía es un acto de inmensa soledad y, en muchos casos de dolor. Pero representa el intento de comunicarse, más allá de la vida diaria, con los otros, con el alma de todos aquellos posibles lectores que, en algún momento, bajarán al mundo tan particular que nuestro espíritu había construido.

 

Traducir poesía, en mi caso, representa una búsqueda profunda del alma del poeta, de ese poeta que tienen a su lado, Álvaro Alves de Faria, porque en algún momento he sentido que, a pesar de las diferencias de lenguas, estilos, años, experiencias vitales,… en lo esencial: en la percepción de la belleza y del dolor; en la búsqueda del significado de la palabra Poeta, del sentimiento Ser poeta,… percibimos igual.

Esto es la poesía, esa necesidad de compartir vida y muerte con los otros, de remover el interior de los otros, de intentar que un posible lector mire más allá del mundo finito que lo rodea y encuentre algo nuevo e intangible que sumar a la vida. De conseguir que las entrañas de otros se remuevan y, aunque sólo sea por un instante, la emoción inunde el espíritu de cualquier ser humano.

 

Y cuando leo a Álvaro, mis entrañas buscan lugares comunes que compartir, y su dolor es mi dolor, y sus miedos, mis terrores, y su pasión, el motor que, por un instante, mueve mi vida. Y, a pesar de los kilómetros que nos separan y de este océano infranqueable, está aquí, a mi lado. Y siento la necesidad de compartirlo con los demás porque creo que todos pueden sentir lo que yo siento. Y por eso lo traduzco. Y de la misma manera que espero que un lector lea mis libros, espero que lean las traducciones de Álvaro y que puedan sentir todo lo que nuestra poesía encierra. Este es el fin último: compartir, compartirnos con los otros de la manera más sincera y honesta que sabemos: escribiendo. Y en esta búsqueda y deseo de compartirnos, nos hemos atrevido a hacerlo juntos en Maos dadas, esperando que aquellos que dejen que entremos en su mundo, nos encuentren tal y como somos, abrazados para describir la belleza, la rabia y el dolor que esta vida nos ofrece, pero de maos dadas para que sea más fácil resistir al miedo de estar vivos.Gracias por ser mi voz hoy, por estar presentes y dar sentido a cada poema que compartimos para que deje de ser nuestro y se convierta en un abrigo para otros. Gracias por la belleza.

 

 

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PALAVRAS DE ÁLVARO ALVES DE FARIA

NO LIVRO “DE MÃOS DADAS”

 

Assustei-me um dia em que havia, para mim, uma mensagem de Montserrat Villar Gonzáles, poeta de Espanha, que vive em Salamanca. Pedia-me autorização para traduzir para o espanhol meu livro “Motivos alheios”, lançado em 1983, que tem como segunda parte 19 poemas escritos quando estive preso em 1969 com o título “Resíduos”. Escritos em 1969 e publicados somente em 1983, devido a censura, com a insistência do editor Massao Ohno. Como segunda parte, os poemas de “Resíduos” ficariam escondidos dentro de “Motivos Alheios”. Disse-me que conhecera o livro ao ler “Trajetória poética”, que reuniu toda minha poesia desde o livro adolescente até 2003, quando foi publicado. Recebera “Trajetória Poética” das mãos de uma mulher mágica chamada Manuela, a quem eu enviei o livro, depois de participar do X Encuentro de Poetas Iberoamericanos, em Salamanca, em 2007, esse ano dedicado ao Brasil, convidado pelo poeta e professor da Universidade de Salamanca, Alfredo Perez Alencart. Fui o poeta homenageado no evento. Nunca mais deixei de ir a Salamanca e assim conheci Montserrat Villar González pessoalmente, uma linda mulher poeta de palavras delicadas. A empatia foi imediata. Ela fez a tradução de “Motivos alheios” e se interessou mais pelo livro ao saber da história dos poemas de “Resíduos”. O livro foi publicado numa das mais importantes coleções de poesia da Espanha, dirigida por Antonio Colinas, com o título “Motivos Ajenos – Resíduos”. A seguir, Montserrat interessou-se por outros livros meus, que traduziu e vem traduzindo, sendo editados na Espanha. Convém lembrar que meu caminho para Salamanca foi Coimbra, em Portugal. Dediquei-me durante 15 anos à poesia de Portugal, sendo sempre guiado pela ensaísta Graça Capinha, da Universidade de Coimbra, que fez a apresentação da maioria dos meus livros publicados em Portugal. Encontrar Montserrat Villar González foi um presente que a poesia me deu, essa poesia que a mim, particularmente, sempre feriu, porque minha poesia nasce da dor, do desencanto, dos ferimentos. Nasce das injustiças, dos descaminhos. Montserrat soube compreender essa linguagem, essa poesia amarga que me habita e sempre foi combativa em momentos dramáticos. Agradeço, Montse, por sua dedicação e seu interesse por minha poesia. Nunca imaginei que um dia encontraria uma mulher como você, do outro lado do Oceano Atlântico. Este livro “De mãos dadas” é uma experiência poética que me enriquece, até porque é a palavra de um poeta homem junto com a palavra de uma poeta mulher. O masculino e o feminino, o olhar de dois poetas que colocam sua poesia em favor da vida, do homem, da mulher, da criança, dos bichos, das plantas. Agradeço, Montse, seu carinho, seu afeto, sua poesia. Vamos caminhar, é preciso sempre caminhar. Sua dedicação em relação à minha poesia vive no lado esquerdo de meu peito. E será sempre assim.

 

 

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Fotos de Daisy de Fátima Alves de Faria

MONTSE FOTO

De mãos dadas

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PALAVRAS DE MONTSERRAT VILLAR GONZÁLEZ

NA ABERTURA DO LIVRO “DE MÃOS DADAS”

       

Escuché por primera vez la poesía de Álvaro Alves de Faria en 2012 en Salamanca durante un Encuentro de Poesía Iberoamericana y lejos de sentirme indiferente, deseé saber más, leer más de este autor sangrante, descarnado, herido y profundamente humano. Hasta ese momento mi autor preferido por su expresión personalísima de lo más oscuro del ser humano era Leopoldo María Panero y, en ese momento, encontré un nuevo poeta por el que obsesionarme en otra lengua que amo profundamente, el portugués. Nunca había utilizado mis estudios en Filología Portuguesa para nada serio y ese día supe que quería traducir, traducir a este autor recién descubierto para que otros pudieran llegar a sus entrañas y conocerlo y valorarlo como creo que se merece. Estos años me he dedicado a leerlo, tratarlo personalmente y admirarlo por todo lo que es, todo lo que ha vivido y todo lo que ha escrito. He descubierto a un Álvaro Alves de Faria con dos formas de expresión poéticas diferentes y tremendamente marcadas: su poesía portuguesa y su poesía brasileña y he podido traducir obras de ambas poéticas.

Tengo que confesar que con la poética que me siento más identificada es con la brasileña ya que, en mi caso, también busco la expresión de aquello que se clava en el alma, e intento de comprender y compartir las llagas que la vida va infligiendo, los silencios, los miedos,... las experiencias que nos hacen más humanos o menos, según se mire.

Y mientras me dedico a estudiar a este rico y prolífico autor como tema de mi tesis doctoral, a traducirlo y a leerlo obsesivamente, la generosidad de él no tiene límites y me invita a escribir un libro de poemas conjunto. Y en esto hemos estado ocupados los últimos meses: envío de poema y contestación con otro poema por parte del otro. Y he conocido, saboreado y complementado el alma de un ser que se desangra en los silencios de los cuartos en los que sólo habitan fantasmas del pasado. Me he solidarizado, sin ningún esfuerzo tengo que confesar, con todos los miedos que, a pesar de la diferencia de edad, las distintas experiencias vitales, compartimos. Y la poesía vuelve a ser expresión sincera de la existencia de cada uno y de ambos para llegar a todos los que se quieran asomar a nuestros abismos. Nada nos separa, ni el idioma, ni la edad, ni la diferente cultura o historia personal, porque bajo todo ello subyace la necesidad de expresar el mundo, nuestro mundo, de la manera más honesta y sincera posible. No somos fingidores, somos seres que necesitan expresar cuanto han vivido, sentido y podido compartir empáticamente con otros. Escribir es entender, asumir e intentar comunicar y la poesía va más allá de cualquier conocimiento simplemente racional y ¿para qué la racionalidad si tenemos el verso?. En este pequeño libro no hay más que un trozo de cada uno de nosotros que fue encadenándose en el deseo de sentirnos más cerca y arropados en nuestra soledad.

No sólo he tenido, tengo la suerte, de leer a un poeta al que siento cerca, también he podido conocer a la persona que completa su mundo de palabras y, ahora, poder acompañar sus versos con los míos en un ejercicio de solidaridad, complicidad y existencia.

Gracias, querido poeta Álvaro Alves de Faria por ser y estar; gracias por este regalo hecho libro en compañía.

Gracias, querido lector, por sentir y sentirnos en cada palabra que leas a partir de ahora; por acogernos y llevarnos de la mano a lo más profundo de la humanidad que nos

habita.

 

 

***

 

 

 

POEMA 8 (Montserrat)

 

Y sólo algún instante

conseguiré llenar este vacío

con palabras

o la premura de un abrazo

que haga olvidar

esta respiración entrecortada

y la falta de aire.

 

Y sólo en algún instante

la mugre que me cubre

será dulcificada

imaginando tener alas

para asirme al oxígeno

que ahora no me alcanza.

 

Y sólo en ese instante

sonreiré sin convicción

pero como auxilio

para salvarme de cada hora,

cada día,

cada vida que me pesa

y consigue amordazarme.

 

Y sólo, sola en el instante

sabré que ese segundo de tregua

me sana las llagas

y me deja,

a duras penas,

seguir precipitándome.

 

POEMA 8 (tradução)

 

Somente num instante

conseguirei preencher este vazio

com palavras

ou o aperto de um abraço

que me faça esquecer

esta respiração que para

e a ausência de ar.

 

E tão só em algum instante

a impureza que me cobre,

será ameno

imaginar ter asas

para me agarrar à respiração

que agora não me alcança.

 

Somente nesse instante

sorrirei sem convicção,

mas como auxilio

para me salvar de cada hora,

cada dia,

cada vida que me pesa

conseguindo amordaçar-me.

 

E só, sozinha nesse momento,

saberei que esse instante de trégua

vai-me curar as chagas

e me deixar,

com muito esforço,

seguir com atropelos.

 

(MVG)

POEMA 8 (Álvaro)

 

Então as aves se calaram,

mas era noite.

 

Sempre que o sol desaparece

no amarelo da tarde,

as aves se calam.

 

Resta no fundo dos relógios

ponteiros perdidos

num tempo que não existe mais.

 

Caminho em direção ao nada

e me deixo perder nas ruas

como os duendes se perdem

nos jardins de esquecimentos.

 

As mãos feridas

apontam dedos sangrados

para os retratos antepassados.

 

Uma mulher

me ama em desespero

com as pernas machucadas

e o sexo dolorido.

 

As palavras desapareceram de mim

como luas que morrem

no olhar de um poeta.

 

Esse pássaro à minha janela

voa em mim meu voo incerto,

desses que não levam a lugar nenhum.

Montserrat Villar González e Álvaro Alves de Faria

Patuscada

Poeta e o artista plástico Valdir Rocha

Poeta e Flora Figueiredo

Oswaldo Rodrigues

Whisney Fraga

Vista geral

Poeta e Cláudia Gouvea (Claudinha)

Lélia Romero

Capa do livro

Alessandra Jarussi

Luiz Roberto Guedes

Alessandra Jarussi e seu filho Luquinha

Poeta, Alessandra, Luquinha e Claudinha

Ruy Proença

Carlos Felipe Moisés, poeta e Ruy Proença

Zuleika dos Reis

Poeta, Rubens Jardim e Zuleika

Valéria

Hamilton Faria, poeta, Esther Proença e Zuleika

Hamilton Faria

Poeta e Esther Proença

Esther Proença

Poeta, Zuleika e Rubens Jardim

Poeta

Dúnia Paloma Yáñes Opic, Lélia Romero e poeta

Esther, Flora Figueiredo e Carlos Felipe Moisés

Dúnia Paloma Yáñes Opic e poeta

Lélia, Dúnia e poeta

Lélia Romero e poeta

Poeta

Carlos Felipe Moisés

Hamilton Faria

Luiz Roberto Guedes

Osvaldo Rodrigues

Flora Figueiredo

Carlos Felipe Moisés

Ruy Proença

Lélia Romero

Whisner Fraga e a pequena Helena, sua filha

Rubens Jardim

SALAMANCA

PALAVRAS DE MONTSERRAT VILLAR GONZÁLEZ

EM "CON DOS ALMAS POR PALABRA"

 

    Siempre afirmo que escribir poesía es un acto de inmensa soledad, de encuentro con uno mismo, pero de necesidad inevitable. Los que alguna vez han sentido esto, jamás podrán vivir en otra dimensión. Y no es una afirmación pretenciosa, simplemente es el intento de explicar que la poesía forma parte de nuestras venas y necesitamos irrigarnos de ella para sobrevivir, sobrevivirnos.

Y de esa soledad, hermosa y dolorosa al mismo tiempo, nacen, a veces, poemas y libros de poemas que compartes y aprendes a reinterpretar en la mirada de otros. Y de este contacto  con los demás comienza a crearse una invisible tela de araña plagada de seres que se cruzan en tu camino y te asombran primero, te emocionan después, y, siempre te enriquecen. Este es el mayor regalo del poema, conocer a poetas como Álvaro Alves de Faria o Luis Felipe Comendador, entre otr@s. Ambos, para mí, regalos impagables de la vida.

En el caso de Álvaro, ya comenté la sensación de haberlo leído, traducido y poder escribir este libro mano a mano con él, ¿qué más puedo decir?.

    Na Espanha, "De mãos dadas" foi publicado com o titulo "Con dos almas por palavra". O primeiro lançamento ocorreu no dia 25 de outubro de 2017 no Centro de Estudos Brasileiros, da Universidade de Salamanca, dentro da programação do XX Encontro Ibero-americano de Poetas, e o segundo na cidade de Candelabro, numa noite de leitura de poemas e debates sobre a poesia. No Centro de Estudos Brasileiros "Con dos almas por palavra" foi apresentado pelo poeta peruano-espanhol Alfredo Perez Alecart, da Universidade de Salamanca, e pelo poeta e editor Luis Felipe Comendador (If Ediciones), que também ilustrou a edição espanhola.

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‘Con dos almas por palabra / De mãos dadas’, de Villar y Alves de Faria, en castellano y portugués

PUENTE ENTRE SALAMANCA Y SÃO PAULO

Los poetas Luis Felipe Comendador y A. P. Alencart presentaron, en el Cebusal, la obra escrita al alimón por la española y el brasileño

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Alves de Faria y Montse Villar, en el Centro Brasileño de la USAL

El atractivo poemario de Montserrat Villar González y Álvaro Alves de Faria se presentó la tarde del día 26  en el Centro de Estudios Brasileños de la Universidad de Salamanca. ‘Con dos almas por palabra / De mãos dadas’, ha sido editado recientemente, y en edición bilingüe, por lf Ediciones, de Béjar.

 

Mientras que Comendador explicó el proceso de edición del poemario y los fines solidarios que conlleva la venta del mismo, pues buena parte servirá para financiar proyectos solidarios en el norte de Perú. Alencart, por su parte, trazó un breve esbozo del contenido intimista de los versos de ambos autores.

 

Finalmente, tanto González como Faria explicaron los motivos que les llevaron a escribir un libro al alimón, partiendo en unos casos de los versos del otro y luego viceversa. También hablaron de la traducción recíproca que hicieron de los poemas que se enviaban vía correo electrónico. El año pasado salió, con éxito, la edición brasileña del libro.

 

La parte final de la presentación se dedicó a la lectura de uno de los textos en ambos idiomas.

 

Álvaro Alves de Faria nacido en São Paulo en 1942, pertenece a la Generación de los 60. Autor de más de 50 libros de poesía, novela, relatos, ensayo literario, teatro,… Como periodista cultural recibió dos veces el Premio Jabuti y tres veces el Premio Especias de la Asociación Paulista de Críticos de Arte. Como Poeta, así le gusta definirse, ha recibido los premios más importantes del país y ha participado en Encuentros Internacionales en Brasil, Coimbra, Salamanca. Su gran número de publicaciones poéticas, novelísticas, teatrales,… hace imposible una enumeración. Aunque la mayor parte de obras poéticas de Brasil se encuentran recogidas en Trajectória poética (2003) y toda su obra poética portuguesa en  Alma gentil / Raízes (2010). Salamanca, a través de su Ayuntamiento, le homenajeó el año 2007, dentro del XI Encuentro de Poetas Iberoamericanos, declarándole Huésped Distinguido y publicando una antología de su abra bajo el título “Habitación de olvidos”(Edifsa, 2007, con traducción de A. P. Alencart).  Posterioremente a esa fecha ha publicado ha sido traducido y de él se han publicado varios libros más en castellano, traducidos por Alencart y, especialmente, por Montserrat Villar  Domínguez.

 

Montserrat Villar González (Cortegada de Baños, Ourense, 1969). Licenciada en Filología Hispánica y Filología Portuguesa por la Universidad de Salamanca. Profesora, poeta y traductora. Presidenta de la A.C. PentaDrama. Colaboradora en diferentes medios de información. Sus poemas aparecen en diferentes antologías, publicaciones conjuntas, revistas literarias y blogs. En poesía, sus títulos son: Tríptico de mármol (2010); Ternura incandescente (2012); Tierra con nosotros (2013; Premio poesía 2013); Desde la otra orilla (2014, en colaboración con 5 fotógrafos); Terra en mármore e tenrura (Escolma), (2014. Traducción de Xavier Frías Conde); Terra habitada (2014, Coimbra. Traducción de Jorge Fragoso) o Aprehenderse (2017), entre otros.

 

Reportaje fotográfico de Jacqueline Alencar

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Alencart, Alves de Faria, Villar Domínguez y Comendador

Lançamento em Candelabro

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POEMA 4

 

Yo quise ser un muerto

y finalmente todos los muertos que ya habían sido

pudieron conmigo

y me convirtieron en un vivo que muere cada noche

y despierta cada día

envuelta en sangre transparente

que sólo está a salvo

si comparte palabras.

 

Yo quería ser un muerto,

una muerta,

y cada día las palabras

me dan el oxígeno necesario

para decidir que mis pies

vuelvan todas las mañanas

a pisar la tierra que me desangra.

 

 

M.V.G.

 

 

 

POEMA 11  

 

Y saber que la vida es esto, que se desmigajen las estrellas cada noche y sus filos nos alcancen cuando menos lo esperamos. Que se rompan los espejos sin ocasión de poder recomponer las imágenes. Que es enfríen los veranos y las tormentas nos estallen en la playa. Que los enanos se nos crezcan para pisotearnos y las hormigas transporten nuestros restos desmembrados. Que la música sea una serenata desafinada sin posibilidad de ensayo. Que las sonrisas sean antifaces de mordeduras deseadas.

 

La vida es el deseo de los muertos, el castigo de los vivos hasta que decidan que la desmemoria es la mejor de las armas.

 

Y saber que la salvación es entorpecer las ganas de asfixiarse para demostrar que podemos con los sacos de miserias que se van amontonando en nuestras espaldas. Levantarse y hacerse la autopsia cada día, para desechar las entrañas fallecidas y con un ropaje de suturas, seguir sintiendo.

Descolgar cada noche la luna para que se crezca en esta soledad e ilumine los huecos.

Conspirar con los dedos hasta que hagan crecer palabras. Rogar a cada frase que difumine las rabias y los sueños que el dolor se ha apropiado acumulándolos en el mismo cieno.

 

M.V.G.

 

 

POEMA 4

 

Esa planta tiene mis pies como raíz,

esa sangre de la tierra,

el gesto desaparecido en lo que ya no vuelve a mostrarse.

 

 

Sale de mí esa lluvia

que recorre los océanos como un barco,

ese que dirige hacia la distancia

los poemas que pidieron estar vivos.

 

 

Ya no viven las palabras,

ni las campanas de las iglesias,

los monjes que me habitan

y reinventan las tardes

cuando todo se vuelve invisible.

 

Ya no viven.

 

Las aves rayan el cielo ausente

que recorre los silencios de las bocas,

lo que se mastica sin saber.

 

Perverso  es el día que no nace

y que abandona en la ventana el pájaro muerto

con las plumas enrojecidas por las heridas.

 

Las piedras se silencian en las manos

y la vida deja de existir para siempre.

 

A.A.F.

 

 

 

POEMA 11

 

La cara de piedra se rompe en la sombra de un espejo mortecino en la pared siento en lo que me rodea el espanto que me corta a la mitad insectos atraviesan la mesa buscando el azúcar trozos de uñas rotas las palabras las palabras las palabras las palabras está mudas en la boca el labio que se moja los dientes blancos esmalte que se escurre por la piel por el pelo por la muñeca piernas que se abren donde entro olvidado de mí perdido en mí tatuaje de navajas alambres pedazos de hierro ropas rasgadas en los tendederos ausentes ese surco de sangre en el borde del labio que se escurre en el hombro pájaros aves alas cortadas ese grito ese grito ese grito mudo que no se oye la libertad de existir mi libertad  de volar mi libertad de vivir pero es muy tarde es muy tarde es muy tarde es muy tarde mi libertad de tirarme desde un puente con piedras atadas a los pies y una carta de amor en el bolsillo del abrigo el gesto que se anula en las manos amputadas los caminos cerrados caminar caminar caminar caminar caminar sobre los océanos que ya no existen partir siempre partir siempre de ese puerto de ese muelle de ese caos de ese día que no nace de esa noche que desapareció vestir mi ropa de domingo y recoger las últimas flores de una llanura invisible como si nada existiese como  si nada existiese como si la palabra dejase de ocupar su espacio como si la vida dejase de existir cono si como si cono si las hormigas recorrieran mis zapatos mi libertad de no tener libertad ninguna mi libertad de cortar las muñecas las hormigas las hormigas lo que me queda del silencio de las ausencias entre mis dedos de cristal en las plantas que nacen en los pies raíces que me sujetan a los árboles a los árboles pájaros antiguos que me pueblan vuelan  mi cuerpo heridas las hojas de un otoño lejano.

 

A.A.F.

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En el caso de Luis Felipe Comendador que se une  a nosotros en esta nueva edición de De mãos dadas, que en España se publica con el título de Con dos almas por palabra, no sólo con su impecable trabajo de editor sino con sus provocadores dibujos de sombras que dan al libro una nueva dimensión y que nos transporta a ese mundo interior que todos tenemos y se hace visible en la invisibilidad de nuestro duerme-vela o de alguna de las imágenes fugaces que corretean en nuestros sueños olvidados tras el cruel e irrefrenable sonido del despertador de cada día. Sombras que reflejan la realidad construyendo otra que bien podría significar algo diferente. Reflejos del otro como lo es cada poema que contesta a un primer poema y que contiene en sus palabras al otro, a uno diferente al original pero que parte de éste. Sombras que se expanden en la mirada de Luis Felipe y posteriormente continuarán en la de los lectores, convirtiéndose en sinfín de interpretaciones de una realidad que podrían llegar a a-sombrarnos igual que a un niño que descubre su imagen en el suelo y la persigue con inquietud y curiosidad.

Así se va construyendo este libro y Luis Felipe nos regala cada una de las escenas que pueblan versos que se escribieron en una soledad compartida y que ahora se dan la mano a tres. Y este libro ha crecido como no hubiéramos imaginado y se va a echar a caminar para hacerse todavía más grande en su destino final: apoyar alguna justa causa de SBQ solidario. Así que, qué decir... Escribiendo estas palabras, noto como los ojos se me llenan de ese líquido salado que expresa tantos sentimientos contradictorios. En este caso es, emoción e infinito agradecimiento por esos hilos invisibles que me han llevado a extremos tan dispares y que me han hecho conocer a personas-poetas tan generosos que me regalan su complicidad, sensibilidad y creatividad. Esta es la poesía, este es el Humanismo Pequeñito, esta es la grandeza de creer en el poema y los seres humanos que pueblan de belleza nuestras páginas.

 

Gracias, Álvaro. Gracias, Luis Felipe. Gracias por hacer posible este encuentro de 13x13.

 

Montserrat Villar González

 

 

Monterrubio de Armuña, 22 de agosto de 2017