"Desviver" em Coimbra

Álvaro

Alves
de Faria

02

João Rasteiro, Álvaro Alves de Faria e Jorge Fragoso

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Canal do Poeta

capa completa 6v - Desviver copiar
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Fotos

Lisboa

Percorri Lisboa, onde fui especialmente para encontrar meus amigos PRISCILA ROQUE e RAFAEL, que trabalharam comigo na Rádio Jovem Pan de São Paulo. Casaram-se e vivem hoje em Portugal. Minhas foto fazem parte de um pequeno ensaio que PRISCILA, excelente fotógrafa, fez comigo em Lisboa.

SEIS POEMAS DE DESVIVER

5

Destruir-se
no desdém
descalar-se
no descaso
desescobrir-se
em desespero
que desespera
e se repassa
na sempre espera
na fúria os pássaros
que destelham a casa
as figuras
que fogem dos quadros
quebrados no chão da sala
que passam pelas portas
no fundo da vala
e depois regressam
desregressam
asas como escamas
desconhecidas
como o que não chega
e não se basta
se desbasta
desesquecer-se
do desesquecimento
que nada há a lembrar
no dessegredo
o nada a descobrir
desredescobrir
tudo está completo
no que não se descompleta
no que se determina
a face a desfazer-se
que a nada se destina.

1

Sair da vida
como do avesso
de outra vida
desvida do que já foi
renascer
no que não há
desfazer-se em si mesmo
como o inseto
que se desvenda
sair da vida
desviver por dentro
como a sair por uma porta
igual ao que se desfaz
e se iguala ao que não é
como se não fosse
esse percurso
de se encontrar
onde reza a alma
e se dilacera
num tempo inútil
como se houvesse
ainda o pressentir
o ser da ausência
de se sumir
o ser do ser
a se punir
num só golpe
num somente
o que não resta
no que não sente.

10

Desdesligar-se
do desazul
do que se encerra
no desencanto
que desenterra
dessentimentos
desnecessários
as desdatas
de obituários
desencontar-se
em sua dívida
desfigurar-se
em sua súplica
o desrítmo
dessa música
despersonagem
do desespetáculo
desavidez
do que é ávido
a primeira vez
do que é último
desse número
que se enumera
despermanecer
no que é desprimavera.

13

Doravante
andar para trás
de costas
aos oceanos
nas tardes
das marés
andar sem ver
o rumo dos pés.

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