Poeta

Álvaro

Alves

de Faria

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Canal do Poeta

"Desviver" em São Paulo

Poeta com Ricardo Szwarc

Poeta Antonio Martins

Poeta lendo poema na Biblioteca Municipal de Alvaiázere

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“DESVIVER” EM SÃO PAULO

O lançamento de “Desviver” em São Paulo, publicado pela Escrituras, foi somente um encontro de amigos e amigas que compareceram para trocar afetos na Livraia Martins Fontes Paulista, no dia 10 de dezembro de 2015. Nesta página estão muitas das fotos que registraram esse encontro mais de carinho que literário. A capa do livro foi feita com um desenho meu, da série “Sombras”, 55x35, água, nanquim e pincel, num projeto que percorre a obra, realizado pelo editor e poeta Raimundo Gadelha, que inclui, também, um autorretrato na primeira orelha do livro. Os encontros afetivos são bons para acalentar ainda alguns sonhos já proibidos de sonhar diante de uma brutalização quase geral. E de esquecimentos também. E também de indiferenças. E também de alguns descasos, cada vez maiores.

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LANÇAMENTO

Fotos de:

- Nelson França

- José Anito

- Daysi de Fátima Alves de Faria

Visão da livraria

Poeta e Mariana Porto

Zuleika dos Reis e Raimundo Gadelha

Poeta, Paloma Souza e Luana Saori

Livros

Poeta, Paloma e Luana

Esther Proença e minha filha Daisy de Fátima

Poeta e a artista plástica Magda Stábile

Ricardo Ramos Filho

Poeta e Ricardo Ramos Filho

Poeta e José Nêumanne Pinto

Gadelha, poeta e Nêumanne

Nêumanne e Daisy de Fátima

Poeta e Cristiane Tavares

Poeta e Cristiane

Poeta e Cristiane

Poeta e Cristiane

Poeta e Davi Kinski

Rubens Jardim, Luana e Paloma

DESVIVER

Moacir Amâncio, jornalista, escritor e professor doutor adjunto da

Universidade de São Paulo.

         Longe de ser poeta de juventude, Álvaro Alves de Faria também não é um poeta de ocasião, ou bissexto, como se dizia há muito tempo. Sua obra vem sendo publicada desde 1963 (“Noturno Maior”) com entradas na prosa, quem sabe a mudança de ares se destinasse a uma exploração com outras lentes em busca da renovação do próprio verso.  Uma pausa sempre relativa, pois a poesia continua presente nas narrativas e monólogos sobre as mais diversas situações contemporâneas. Em mais de cinquenta anos de prática literária o poeta mergulhou de cara no cotidiano, isso nada tem a ver com o banal e o superficial, nada mais múltiplo do que o dia a dia. E é do atrito entre os muitos cotidianos, externos e interiores que estala a faísca do poema.

Não seria possível determinar o que vem antes, a inspiração ou o poema, por via das dúvidas melhor será pensar que o poema é a própria inspiração e vice-versa – aquela faísca. Claro, a poesia pode se apresentar a qualquer pessoa, basta estar viva, solitariamente num quarto, diante de uma vista, ou de uma obra de arte literária ou pictórica ou musical, pouco importa. A diferença está em que o poeta, tomado aqui como o artista exposto ao desvio e ao acaso, e não o artesão restrito à sua habilidade, consubstancia a inspiração num texto (ou outro objeto), movido pela urgência de se expressar apoiada pela perícia no ajuste ou desajuste das palavras (ou das linhas, das imagens) que ele na aparência domina, mas talvez o mais correto seja dizer que elas o tomam como instrumento de um discurso em busca de voz. E essa voz também inspirará o leitor.

Trata-se de uma aventura pelos sinônimos do instável, que podem ou não fazer com que o poeta movimente os olhos, todo o seu ser, e não “apenas” de modo intelectual ou espiritual, como quiserem, em busca de correlatos objetivos espalhados pela casa, pela cidade, pelo país, pelo planeta. Álvaro nasceu em São Paulo e nesta cidade encontrou harmonias e desarmonias desde os tempos da ditadura militar até a festa equívoca dos shopping centers, dois estados refratários ao poeta, marginal ou intruso. Além dos poemas e narrativas escreveu crônicas para jornal e rádio, sempre engajado não numa luta político-partidária determinada e unívoca, mas na própria vida, seja lá o que isso for e essa pergunta acompanha a obra de Álvaro como um eco, ou, tentando ser menos incorreto, seus poemas mais do que ecoar, buscam captar as rimas loucas desse emaranhado inqualificável de sons, acontecimentos, alegrias, tragédias próprias e alheias, que disso ninguém escapa nesta porca miséria.

Não há chance para burocracias na aventura poética, ou ela não será. Álvaro viveu momentos existenciais variadíssmos que carregam a sua literatura sempre movida por um impulso lírico que se renova e, a rigor, não terá fim, pois essa corda continuará a vibrar ao ser tocada pelos seus leitores. Houve um tempo em que Álvaro se declarou um ex-poeta. Não sei se é possível existir tal entidade. Um poeta que deixa de escrever jamais poderá ser considerado um ex-poeta, mas como é próprio dos poetas criarem realidades insuspeitadas, então teremos de admitir a validade de tal declaração oral ou... escrita. Ao circular por aquelas realidades Álvaro de repente se redescobriu em Portugal, terra de seus pais. O poeta paulistano por excelência – o Viaduto do Chá é um marco em sua história – percebe-se então um ibérico. E com as consequências que isso implica, descobrir um pertencer e um estranhar recorrente, ou o inevitável. Mais uma vez, a Ibéria, o Portugal que ele tem por herança de fato, próxima, veio à tona e ampliou a sua obsessiva busca do motivo de expressão e interrogações. Limites e convenções ideológicas são rompidos pelo acaso do idioma jamais circunscrito na geografia ou na rasa nacionalidade. Álvaro é tanto brasileiro como português na letra e na lei e não há maneira mais rápida de não ser nada disso do que o caminho da triplicidade a ser seguido pelo estrangeiro de sempre que em primeiro lugar estranha a si mesmo e é estranhado pelo que o cerca.

Acontece que a viagem sobre as fronteiras geográficas ou pessoais é inerente à poesia. Ela não é daqui nem de alhures. Nem de cima nem de baixo. E se às vezes acontece a sensação de alguma harmonia utópica, da existência de um ponto de chegada, este de novo se revela falso ou fugidio. O que há é um permanente desacerto em metamorfose mostrando sua cara tanto abominável como inevitável. Não sei se deveríamos concordar com a ideia de que isso é uma verdade, embora tudo leve a crer, mas nada mais urgente do que duvidar de qualquer crença, rumo ao desencontro.Quando o que se vê não é vida, mas “desvida”, como querem os poemas, ou melhor, o longo poema contido neste livro, a repercutir ou a fazer sequência ao “Eclesiastes” que, retirado do conjunto bíblico exigindo uma interpretação contextual, pois não está lá por acaso, torna-se um manifesto poético a partir da nulidade das coisas ilusoriamente negada pelo delírio das vaidades.

Pode-se ver neste livro, também, um reflexo da chamada teologia negativa, segundo a qual só se pode saber o que Deus não é. No caso do poeta Álvaro e seu descante, essa talvez seja a única maneira de ler a vida, ou seja, pelo viés de que ela não é vida, simples e terrível como isso, nota de batida surda, sem resposta. Mas também não é esse algo de sentido também inapreensível chamado morte. Do paradoxo, a partir da consciência de quem sempre estará fora, apesar dos muitos lugares e ambientes que o condicionariam, ressurge a experiência de linguagem chamada poesia na qual o indivíduo constata mais uma vez a sua condição de estrangeiro a partir de si mesmo.

Livraria

 

 

Isabel Cintra Nepomuceno entrega orquídeas ao poeta

Poeta e Isabel Cintra Nepomeceno

Isabel e Cristiane

Poeta e Paloma Souza

Davi Kinski e Nélson França

Poeta e a escritora Elisa Andrade Buzzo

Poeta e Elisa Andrade Buzzo

Poeta e Roberto Bicelli

Poeta e Roberto Bicelli

Poeta

Poeta e José Anito

Cristiane e poeta

Rubens Jardim e Isabel

Poeta

Rubens Jardim e Isabel

Poeta e Rubens Jardim

José Anito e poeta

Poeta e editor e escritor Nicodemos Senna

Poeta e a filha Daisy de Fátima

Poeta e Gadelha

Zuleika e Daisy

Poeta e Paloma

Poeta e Roberto de Oliveira

Poeta e o artista plástico Valdir Rocha

Poeta e Antonio Zago

Escritor Silvio Fiorani e poeta

Sílvio Fiorani e poeta

Livraria

Poeta e Esther Proença

Poeta, Maurício e Mariana Porto

Poeta e a bailarina Mariana Porto

Esther Proença e Raimundo Gadelha

Poeta e Isabel Cintra Napomuceno

Livraria

Poeta e Nicodemos Senna

Poeta e Paloma

Poeta e Roberto de Oliveira

Poeta e Valdir Rocha

Poeta e Antonio Zago

Poeta, Zago e Valdir

Sílvio Fiorani e poeta

José Anito e Nêumanne

Poeta e Flora Anita

Poeta e Zuleika dos Reis

Poeta e Nicodemos

Poeta e o casal de escritores Ronaldo Cagiano e Eltânia André

Poeta e o casal José Nêumanne e Isabel

Desviver

 

Miguel Jorge

 

Neste novo livro,  Álvaro Alves de Faria constrói e descontrói o nosso Desviver, com a dor profunda de quem perdeu a antiga doçura. É a afirmação mais significativa de sua trajetória poética. Um apelo sincero a sensibilidade. O limiar de um novo ciclo que se abre agora em sonoros significados, que nos remetem também a auto-reflexão. Efeito consciente na construção dos versos, na busca da palavra certa, nos focos de sonoridade ampla, na relação vida e transformações identificadas ao longo do caminho. É como se o poeta estivesse de volta de um longo percurso e, pleno de símbolos, nos indicasse a sobreposição do que foi e do que poderia ser entendido. É de se ver e notar a profundidade de informações com possibilidade histórica, num revezamento representativo dentro da própria obra. “Desviver” marcará a trajetória do grande poeta que, sem dúvida alguma, entrará na constelação mais ampla da poética universal.

DESVIVER (2015) - Obra solar de Álvaro Alves de Faria

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A obra DESVIVER de Álvaro Alves de Faria, em sua edição publicada em Portugal

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"Neste novo livro,  Álvaro Alves de Faria constrói e desconstrói o nosso Desviver, com a dor profunda de quem perdeu a antiga doçura. É a afirmação mais significativa de sua trajetória poética. Um apelo sincero a sensibilidade. O limiar de um novo ciclo que se abre agora em sonoros significados, que nos remetem também a auto-reflexão. Efeito consciente na construção dos versos, na busca da palavra certa, nos focos de sonoridade ampla, na relação vida e transformações identificadas ao longo do caminho. É como se o poeta estivesse de volta de um longo percurso e, pleno de símbolos, nos indicasse a sobreposição do que foi e do que poderia ser entendido. É de se ver e notar a profundidade de informações com possibilidade histórica, num revezamento representativo dentro da própria obra. “Desviver” marcará a trajetória do grande poeta que, sem dúvida alguma, entrará na constelação mais ampla da poética universal."

 

Depoimento de Miguel Jorge

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Miguel Jorge e Álvaro Alves de Faria

"Álvaro Alves de Faria, nosso grande poeta paulistano. Coração generoso, alma sensível, guerreiro incansável."

 

Depoimento de Antonio Ventura exclusivo para Diego Mendes Sousa

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"Confesso que “Desviver” é um livro que considero bastante estranho em toda minha obra poética.

 

Nenhuma vez em toda minha vida conclui um livro e entreguei os originais imediatamente ao editor. Esta foi a primeira vez.

 

Entreguei ao Jorge Fragoso, da Palimage, em Coimbra, a Raimundo Gadelha, da Escrituras, de São Paulo e também à poeta espanhola que vive em Salamanca, Montserrat Villar González, que já o traduziu para publicação na Espanha.

 

Na verdade, nesse lidar diário com a poesia alguma coisa vinha se desenvolvendo dentro de mim, algo que eu não sabia explicar. Mas era alguma coisa que não saía de mim, dia e noite.

 

Até que numa madrugada pensei em viver ao contrário ou do avesso, ainda não sei dizer. Era, sim, alguma coisa que tem a ver com a elaboração da poesia, do poema, mas tinha, também, algo muito forte na questão existencial.

 

E dentro desse clima escrevi um poema em que apareceu a palavra “desviver”.

 

Senti que essa palavra tinha tudo a ver com o que eu vinha sentindo há muito tempo, nessa trajetória que não termina nunca envolvendo a poesia, essa dor da poesia, esse corte da poesia, esse sangue da poesia que escorre sempre sem que o poeta nem perceba.

 

Às vezes o poeta está com sua blusa branca cheia de manchas vermelhas de sangue e ele nem sabe o que é.

 

Fiquei algum tempo com essa palavra “desviver” na cabeça. Até que perguntei: Por que viver para “conseguir”. Por que não viver para “desconseguir”? Por que viver para “caminhar”? Por que não viver para “descaminhar”? Por que viver para “fazer”? Por que não viver para “desfazer”. Por que “viver” para viver? Por que não “viver” para “desviver”.

 

E “Desviver” passou a ser o título do livro que ainda estava por escrever. Dizer tudo ao contrário, a se negar no que está estabelecido e eu, particularmente, não sei o que está estabelecido. E faz tempo que não quero saber. E não quero sequer saber o que está estabelecido em todos os setores da vida.

E assim os poemas começaram a ser escritos, diariamente. Todos os dias trabalhei nesses poemas à procura não do “fascínio”, mas do “desfacínio”. À procura não da “palavra”, mas da “despalavra”. À procura não da “poesia”, mas da “despoesia”. Não do “poema”, mas do “despoema”.

 

Além de literária e da poética, tratava-se de uma questão íntima de um poeta que é poeta 24 horas por dia em tudo que faz. Essa é minha sina, esse é meu fado, esse é meu destino. Esse é o meu “desdestino”. A minha “dessina”. O meu “desfado”. Tudo ao contrário. Tudo no que se nega, no que não é ou não pode ser. O que tem de “desser”, como se tudo se desfizesse e se desconstruísse.

 

E na verdade tudo se desconstrói. Talvez não sendo possível desconstruir a própria poesia, quero desconstruir a linguagem poética, a “deslinguagem” “despoética”. Talvez seja isso. “Destalvez” seja assim.

 

Quero “desescrever” o “deslivro” com a “despalavra”, com a “despaixão”, com o “dessentir” para que tudo se “desesclareça”.

 

Seja como for, acho e “desacho” que “Desviver” é um livro de poesia. Não sei se isso é importante ou “desimportante”. Não sei de mim como poeta e pouco me importa saber. Chega uma hora em que tudo começa a ficar distante e a ficar ausente. Esse é o corte. Esse é o desfecho. Esse é o gesto possível. É o que ainda pode existir."

 

Depoimento de Álvaro Alves de Faria

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Álvaro Alves de Faria e Lygia Fagundes Telles

1

 

Sair da vida

como do avesso

de outra vida

desvida do que já foi

renascer

no que não há

desfazer-se em si mesmo

como o inseto

que se desvenda

sair da vida

desviver por dentro

como a sair por uma porta

igual ao que se desfaz

e se iguala ao que não é

como se não fosse

esse percurso

de se encontrar

onde reza a alma

e se dilacera

num tempo inútil

como se houvesse

ainda o pressentir

o ser da ausência

de se sumir

o ser do ser

a se punir

num só golpe

num somente

o que não resta

no que não sente.

5

 

Destruir-se

no desdém

descalar-se

no descaso

desescobrir-se

em desespero

que desespera

e se repassa

na sempre espera

na fúria os pássaros

que destelham a casa

as figuras

que fogem dos quadros

quebrados no  chão da sala

que passam pelas portas

no fundo da vala

e depois regressam

desregressam

asas como escamas

desconhecidas

como o que não chega

e não se basta

se desbasta

desesquecer-se

do desesquecimento

que nada há a lembrar

no dessegredo

o nada a descobrir

desredescobrir

tudo está completo

no que não se descompleta

no que se determina

a face a desfazer-se

que a nada se destina.

10

 

Desdesligar-se

do desazul

do que se encerra

no desencanto

que desenterra

dessentimentos

desnecessários

as desdatas

de obituários

desencontar-se

em sua dívida

desfigurar-se

em sua súplica

o desrítmo

dessa música

despersonagem

do desespetáculo

desavidez

do que é ávido

a primeira vez

do que é último

desse número

que se enumera

despermanecer

no que é desprimavera.

13

 

Doravante

andar para trás

de costas

aos oceanos

nas tardes

das marés

andar sem ver

o rumo dos pés.

22

 

Desexistir

na fotografia

desimagem

do desantigo

a desigreja

a desprece

a deslágrima

o desdeus

desaceno

desperdido

na pedra

do desalento

a despedra

do acalento

o calendário

que se apaga

despoema

em um diário

o gesto inútil

na mão precária

desoceano

na desmúsica

sem sua ária

desfazer-se

do desmomento

do que resta

desse instante

desprosseguir

adiante.

26

 

Desperceber-se

na fotografia

o chapéu

da vida

o chapéu do dia

na desfotografia

do tempo passado

desantigo rosto

que não se conhece

na cicatriz

que aparece

e se desencanta

no encantamento

como se assim

fosse merecer

desmerecido

merecimento.

Poemas de Álvaro Alves de Faria

Minuta de Diego Mendes Sousa