Poeta

Álvaro

Alves

de Faria

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INÊS PEDROSA

FOTOS DO POETA E EDITOR JORGE FRAGOSO

INÊS PEDROSA

POETA AUTÊNTICO

 

Inês Pedrosa

 

Aquilo a que chamamos poesia consiste na perigosíssima actividade de descer às grutas mais escuras da alma para lhe sangrar os fantasmas. Há pouquíssimos poetas autênticos no mundo – e Álvaro Alves de Faria é um deles. Trabalha nesse gume extremo da sabedoria onde as palavras são reconduzidas ao indizível que as gerou, e onde já não se escuta a diferença entre sangrar e sagrar.

 

Estes seus Poemas Femininos mostram-nos que o sexo pode definir um destino mas não determina uma identidade, como provou Virginia Wolf através do romance de Orlando, homem que se faz mulher sem deixar de ser a pessoa que é. Não por acaso evoco um grande romance ao convocar os leitores para a leitura desta colectânea de poemas – cada um destes poemas nos apresenta uma personagem feminina singular e universal,um capítulo dessa História Feminina do Mundo feita de ousadia e submissão, amor, solidão, fúria e liberdade. Num dos poemas diz-se expressamente que «a poesia é feminina» - sim, feminina desde a palavra inaugural porque nasceu na sombra, lúcida quanto à cegueira provocada pelo sol esmagador do mundo masculino, continuamente desfeito pela profusão desvairada dos seus próprios feitos.

 

Álvaro Alves de Faria criou um território vocabular intensamente seu e profundamente contagiante: uma voz. Uma voz fluente e poderosa que se desdobra numa multidão de figuras, de um modo só aparentemente simples: não há desespero ou júbilo humano que escape ao cintilante rio dos seus versos, um rio largo que comporta toda a terra, toda a água, todas as sobras e todos os sonhos das nossas vidas.

 

A sua sintaxe é límpida como o cântaro que a Leonor de Camões transportava pela verdura; o seu universo é mais decantado do que desencantado – a tristeza voa como um puro pássaro, transmutando-se em alegria perante o rigor de cada palavra: o Verbo iluminado reacende o mundo.

Álvaro Alves de Faria é jornalista, poeta e escritor. Nascido em São Paulo, onde sempre viveu, é um dos nomes mais significativos da Geração 60 dos poetas de São Paulo. É autor de mais de 50 livros no Brasil, incluindo poesia, novelas, romances, ensaio literário e livros de entrevistas com escritores, além de peças de teatro, porém é fundamentalmente poeta. Como jornalista cultural, recebeu por duas vezes o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (CBL), em 1976 e 1983 e, por três vezes, o Prêmio Especial da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 1981, 1988 e 1989, por seu trabalho em favor do livro e da literatura brasileiros, distinguido, ao longo dos anos, com os mais importantes prêmios literários do país. Iniciou, nos anos 60, o movimento de recitais públicos de poesia, em São Paulo, quando lançou seu livro O Sermão do Viaduto, no Viaduto do Chá, então cartão-postal da cidade. Com uma Kombi, um microfone e quatro alto-falantes, realizou nove recitais, sendo detido cinco vezes como subversivo. Os recitais do Viaduto foram proibidos pelo Departamento de Ordem Pública e Social (DOPS), mas a prisão mais violenta ocorreu em 1969, quando o DOPS descobriu que o poeta desenhava os cartazes do Partido Socialista Brasileiro (PSB), por meio de uma exposição de pintura que Álvaro realizou em São Paulo na mesma época. Sua peça “Salve-se quem puder que o jardim está pegando fogo” recebeu o Prêmio Anchieta para teatro, um dos mais significativos nos anos 70. A peça, no entanto, foi proibida de ser encenada quinze dias antes da estreia e permaneceu censurada até a chamada abertura política, em 1984. Dedicou-se por 16 anos à poesia de Portugal, onde tem 17 livros publicados – 16 de poesia e uma novela. Essa trajetória na terra de seus pais – seu pai de Angola, sua mãe de Anadia – começou quando representou o Brasil no III Encontro Internacional de Poetas na Universidade de Coimbra, em 1998, a convite da ensaísta, crítica literária e professora universitária Graça Capinha, tendo sido, então, o nome mais discutido no evento. Foi o poeta homenageado no X Encontro de Poetas Ibero-americanos, em 2007, em Salamanca, Espanha, no ano dedicado ao Brasil, convidado pelo poeta peruano-espanhol Alfredo Pérez Alencart, da Universidade de Salamanca. Teve publicada, no evento, uma antologia de poemas, Habitación de Olvidos, com seleção e tradução também de Alfredo Perez Alencart. Tem seis livros publicados na Espanha, traduzidos pela poeta espanhola Montserrat Villar González, com edição na mais importante Coleção de Poesia de Espanha, dirigida pelo poeta Antonio Colinas. Participa de dezenas de antologias de poesia e de contos no Brasil e em vários países. É traduzido para o espanhol, francês, italiano, inglês, japonês, servo-croata e húngaro.

 

Thereza Christina Rocque da Motta nasceu em São Paulo, em 10 de julho de 1957, é poeta, editora e tradutora. Foi chefe de pesquisa brasileira do Guinness, o Livro dos Recordes, em 1992 e coordenadora de pesquisa da redação de Projeto Especiais, ambos na Editora Três, até 1995. Publicou Relógio de sol (Poeco, 1980), Papel arroz (Poeco, 1981), Joio & trigo (Poeco, 1982 e 1983, Ibis Libris, 2004), Areal (Geração/Dolfin, 1995), Sabbath (Blocos, 1998), de forma independente e, pela Ibis Libris, Alba (2001), Chiaroscuro – Poems in the dark (2002), Lilacs/Lilases (2003), Rios (2003), Marco Polo e a Princesa Azul (2008), O mais puro amor de Abelardo e Heloísa (2009), Futebol e mais nada: Um time de poemas (2010), A vida dos livros (2010), Odysseus & O livro de Pandora (2012), Breve anunciação (poema dramático, 2013), As liras de Marília (poema histórico, 2013), Capitu (2014), Folias e Horizontes (2014), Lições de sábado (2015) e Intemperanças (2016), além de participar de diversas antologias. Em 1983, publicou o pôster-poema “Décima lua”. Tem livros inéditos, entre eles, As novas lendas de Sheherazade (contos), Nefertiti e Guinevere (poemas em prosa, baseado nas cartas de tarô e nas runas), e a tradução dos Sonetos da portuguesa, de Elizabeth Barrett Browning. Traduziu, entre outros, A sereia e o monge, de Sue Monk Kidd (Prestígio, 2006), republicado com o título original A cadeira da sereia (Companhia das Letras, 2016), Marley & Eu, de John Grogan (Ediouro, 2006), Os diários secretos de Agatha Christie (Leya, 2010), A dança dos sonhos, de Michael Jackson (Ibis Libris, 2011), 44 Sonetos escolhidos (Ibis Libris, 2006) e 154 Sonetos (Ibis Libris, 2009), de William Shakespeare, O Corvo, de Edgar Allan Poe (Ibis Libris, 2013) e O Unicórnio e outros poemas, de Anne Morrow Lindbergh (Ibis Libris, 2015). Tomou parte da Conference on World Affairs, na Universidade do Colorado, Boulder, EUA, em 2002, 2003 e 2005. É membro da Academia Brasileira de Poesia (Petrópolis) e do PEN Clube do Brasil (RJ). Fundou a Ibis Libris em 2000.

"47 POEMAS FEMININOS"

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Antes do lançamento de "47 poemas femininos" na Livraria Ferin, em Lisboa, no dia 25 de outubro de 2019, encontrei-me com a grande escritora e jornalista Inês Pedrosa, no Café Versailles, na Avenida da República, 15. Em Lisboa, durante lançamento, fui acompanhado pelo jovem contrabaixista João Fragoso, que preparou músicas para cada poema. Conversei muito com Inês Pedrosa, a quem ofereci alguns de meus livros e dela recebi seu romance pais recente "O Processo Violeta", um romance que interroga os interditos de uma sociedade que se diz livre e despida de preconceitos. O processo Violeta é, afinal, o de um país de hábitos clandestinos, sacrificiais e crepusculares, como Inês resume. Trocamos ideias sobre o panorama literário e político do Brasil e de Portugal. Conhecer Inês Pedrosa pessoalmente foi, para mim, algo especial. Inês Pedrosa escreveu o prefácio de "47 poemas femininos", que pode ser lido nesta página.

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