Álvaro

Alves
de Faria

Salamanca

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  Sinceramente, não sei como agradecer esta homenagem, pela importância que assume em minha vida e pelo seu significado à minha poesia particularmente.
Mas começo por agradecer ao senhor alcaide de Salamanca, Julián Lanzarote Sastre; ao senhor presidente da Fundação Caminho da Língua Castelhana, Luis Alegre Galilea; ao senhor diretor da Fundação Salamanca Cidade de Cultura, Juan Francisco Blanco; à concejal de Cultura de Salamanca, Isabel Bernardo. Agradeço também a Pillar Fernández Labrador, a concejal de Cultura anterior, que fez o primeiro contato comigo no Brasil;
agradeço ainda aos professores membros do Comitê Organizador deste Enconto de Poetas Iberoamericanos, junto a eles Maria Jesus Rodrigues Macias, da Fundacão, que tratou das questões ligadas à minha viagem a Salamanca; ao pintor Miguel Elias Sanches, que fez meu retrato para a antologia.
Agradeço e cumprimento os poetas participantes deste Encontro, José Maria Muñoz, Verônica Amat, Helena Villar Janeiro, Carlos Aganzo, Jordi Doce, Pio Serrano, Maria Fernanda Espinosa, Jorge Fragoso (meu editor em Coimbra, que tem me dedicado uma atenção imerecida), Luis Alberto Ambroggio, Júlio Espinosa Guerra, Álvaro Matta Guillé e Mário Alonso.
E, finalmente, a um poeta irmão de alma que eu não sabia ter em Salamanca, que me pediu não fosse citado em qualquer agradecimento que eu fizesse. Mas não posso atender o querido amigo no pedido que me fez. Falo de Alfredo Perez Alencart, que selecionou e traduziu os meus poemas para a antologia “Habitación de Olvidos”, título que ele tirou de um verso - “quarto de esquecimentos “ -, gesto que não esquecerei nunca, por sua dedicação, cordialidade, seu trabalho generoso, um poeta que aprendi a admirar por seu despojamento, por sua poesia, seu aceno de palavras. Aceite minha gratidão.

De início, digo que não sou merecedor desta homenagem.
Mas as coisas acontecem e certamente não acontecem por acaso.
Para pessoas de meu feitio é muito difícil falar em ocasiões assim.

Mas é preciso dizer da honra que sinto por este momento, nunca imaginado em minha vida que foi sempre de luta em relação à poesia que tive em mim sempre como verdadeira militância, especialmente nos anos mais obscuros da história recente de meu país.

Lembro-me do menino que, com doze anos, era jardineiro, pegava esterco na periferia de São Paulo, para preparar a terra que usaria nas plantas. Era a maneira de sobreviver. Lembro-me do menino que escreveu seu primeiro poema aos onze anos, um pequeno poema que tinha todas as rimas em “ar” e “ão”, as mais fáceis da língua portuguesa, um pequeno poema que esse menino escreveu para o seu cão.

Depois o tempo foi seguindo seu caminho natural – eu acredito nas coisas naturais – e com pouco mais de vinte anos era preso algumas vezes por dizer poemas num dos locais mais conhecidos no centro de São Paulo, o Viaduto do Chá.

Eram poemas de um livro que se tornou famoso, “O Sermão do Viaduto”, com linguagem bíblica. Um microfone, quatro alto-falantes e uma voz dizendo poemas que tinham o objetivo de salvar o mundo. Eum acreditava que a poesia poderia salvar o mundo.

Hoje eu sei, tantos anos depois, que o mundo não tem salvação.

O que se salva é a poesia ainda possível, enquanto existirem poetas que respeitem a poesia como um ofício de vida, que façam da poesia uma espécie de prece pelos homens, pelas mulheres, pelas plantas, pelos bichos.

Eu venho de um país onde a poesia, infelizmente, se tornou uma coisa rara.

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