Entrevista / Vagalume

Álvaro

Alves
de Faria

ENTREVISTA COM O POETA

 AAF - Houve, sim, uma Geração 60, pelo menos em São Paulo, a partir da Antologia dos Novíssimos, de Massao Ohno, publicada em 1961. Houve e há. Tínhamos todos 18, 20 anos. Éramos uns 30. Sobraram alguns. Eu e o Carlos Felipe Moisés fizemos, no ano 2000, a Antologia Poética da Geração 60 de São Paulo. Vimos, então, os nomes que deixaram de existir dentro da poesia. Que desapareceram. Foram à vida mais prática, no que fizeram muito bem. Poesia é ofício árduo, que fere. A sua pergunta, caro Maurício, é, na verdade, um resumo de tudo, a síntese de tudo. O neo-concretismo ou o concretismo em si, nada disso me diz respeito. Tenho aversão ao autoritarismo, seja ele qual for. Não são poetas, talvez sofríveis artistas plásticos. São também engraçados. Mas detém o poder da mídia e das universidades. Quando falo ou escrevo sobre concretismo, prefiro sempre usar as palavras de meu amigo Alexei Bueno, que ele escreveu num ensaio meu chamado “Os Rouxinóis dos Beirais”, ao referir-se aos sofrimentos de Cruz e Souza, que morreu de fome com a mulher e os quatro filhos por ter as portas fechadas pelos parnasianos e neoparnasianos de sua época. São estas: “Domina na poesia brasileira o “fetichismo da objetividade” e se o Parnasianismo foi o Concretismo da República Positivista, o Concretismo foi o Panasianismo da ditadura militar”. Quanto à Geração 45, não se sabe ainda o que foi ou o que é. É uma mistura de tantas coisas que, pelo menos eu, não tenho uma explicação razoável para compreendê-la como deve merecer. A poesia engajada viveu o seu tempo. Aquele tempo do Pasquim, que era a masturbação que a ditadura permitia que existisse. Daquele tempo, os grandes “heróis” estão cobrando agora indenizações milionárias. No Brasil, até a ideologia tem preço. A luta era pela Democracia. Mas eu acho que não foi bem assim. Para muitos, a “luta pela democracia” foi apenas um investimento. Por isso pessoas como Carlos Heitor Cony, Ziraldo, Jaguar e muitos outros me dão nojo. A expressão é essa mesma: nojo. Estão recebendo agora o rico dinheirinho que dizem ter direito. Quanto à poesia marginal, nada resta que me mereça um comentário. É cada coisa ao seu tempo. Para mim, foi mais moda – como sempre – que qualquer outra coisa que possa ser levada a sério. Como você vê, em relação à poesia e ao pais, eu sou uma pessoa amarga, um ex-poeta amargo, que chegou à amargura absoluta, da qual não se pode fugir. 

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