Álvaro

Alves
de Faria

Entrevistas - Verbo 21

v21

Ano 12, número 150, janeiro 2012

Álvaro Alves de Faria: um romântico do século 18

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Em cinco décadas de intensa vida literária, Álvaro Alves de Faria tem se dedicado especialmente à poesia, mas também ao conto, ao romance, à dramaturgia e à crítica lierária, com cerca de 50 livros publicados. E paralelamente, ao jornalismo, que exerce desde os 17 anos.
Figura destacada na resistência à ditadura militar de 64; duas vezes laureado com o Prêmio Jabuti, teve sua novela “O tribunal” levada ao cinema, em 2001, como o título “Onde os poetas morrem primeiro”.
Sua obra tem merecido estudos de importantes nomes de nossa crítica, como Affonso Romano de Sant’Anna, Carlos Nejar, Antonio Carlos Secchin e Carlos Felipe Moisés. E desde os anos 90, vem estreitando os laços com Portugal e sua tradição literária, tema de seu livro mais recente, “O tocador de flauta”.

ÁLVARO ALVES DE FARIA entrevistado por Angelo Mendes Corrêa

Como você vê a omissão da mídia em relação a muitos de nossos bons escritores e o fim da velha tradição de nossos suplementos literários?

Trata-se de algo criminoso, de gente inconsequente e irresponsável que ocupa cargos na imprensa do país, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Um verdadeiro bando que se apoderou da imprensa e da universidade. O Brasil já contou, sim, com suplementos literários de absoluta qualidade. Isso hoje não existe mais. Hoje é uma coisa de turma, nada além disso. A omissão a grandes escritores é coisa de gente fascista. Eles são fascistas. O jornalismo cultural no Brasil não é equivocado. Não. Ele usa de má fé mesmo, invertendo valores e inventando nomes que desaparecem da noite para o dia. Nem vale a pena falar nisso.

As políticas da atual gestão do Ministério da Cultura demonstram algum avanço ou continuamos no mesmo lugar em que estávamos, sem democratizar verdadeiramente a cultura às massas?

Desculpe-me, mas não dá para responder a essa pergunta, porque faz dez anos que o Brasil não tem ministro da Cultura.

Novos projetos de livros? O intercâmbio com Portugal deve dar novos frutos?

As coisas vão acontecendo. Quem sabe faz acontecer. Os livros sempre serão projetos, enquanto houver vida a ser vivida. Do intercâmbio em Portugal espero sim novos frutos. Como este agora “O tocador de flauta”, a exemplo de todos os outros livros. Cada momento é um momento. Quando escrevi “Inês”, achava que nunca mais conseguiria aquela linguagem da lírica de Portugal. Mas sempre há algo por acontecer. Como é o caso de “O tocador de flauta”, em que converso com Caeiro a andar em um campo, a falar das coisas e a deixar que as coisas falem por nós. O importante é viver esse momento com toda a intensidade da vida. Buscar a lírica de Portugal foi o que de melhor fiz por minha poesia até hoje. É preciso sempre lembrar que eu sou um romântico do século 18. Acho que vivo do passado. Eu prefiro que seja assim. O presente não me interessa, pelo menos o que está aí na minha cara, no que se refere ao meu país. Já o futuro eu não sei. Também não estou interessado em saber.

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Angelo Mendes Corrêa é professor universitário. Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo (USP).

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